Nos arquivos da Valentim de Carvalho há relíquias Do Tempo do Vinil: clássicos que nunca viram edição em CD, raridades que ganharam com o tempo estatuto de culto. São esses discos que a colecção Do Tempo do Vinil vai buscar e devolve ao nosso convívio. Em edições digipak que reproduzem fielmente a capa original, com som restaurado para manter vivo o calor do vinil, com depoimentos dos próprios artistas que nos falam do tempo e das circunstâncias em que surgiram estes discos...

09 Maio 2008

Sobre antologias e fac-similes... (continuação)

Como de costume, continuamos a agradecer os vossos comentários e sugestões. Continuem a enviá-los!

Aparentemente, continua a haver alguns problemas de distribuição da colecção Do Tempo do Vinil. Por razões que nos transcendem, algumas lojas da Fnac ainda não colocaram os discos à venda - no Colombo, hoje, disseram-nos que na próxima semana estarão certamente já disponíveis. É uma situação para a qual não temos explicação e pela qual apenas podemos pedir desculpa.

Relativamente ao diálogo que temos estabelecido aqui relativamente às "antologias" e "fac-similes", confessamo-nos surpreendidos que alguns comentários aqui deixados dêem a entender que as pessoas preferiam não ter a música disponível se a embalagem não respeitar integralmente o original... 

Sinceramente, do nosso ponto de vista, isso é um pouco difícil de engolir! Lermos que, apesar do EP de Né Ladeiras Alhur não existir no mercado desde 1982, algumas pessoas não o comprariam por não ser editado separadamente mas sim numa antologia com outro material parece-nos de um "fundamentalismo" algo extremo... 

De facto, como o nosso leitor Nuno deixou escrito, não é afinal a música o mais importante? Não é mais importante que uma obra que muitos consideram seminal na música moderna portuguesa volte a estar disponível, mesmo que conjugada com um outro trabalho, do que mantê-la inacessível só por não estar a ser editada num facsimile impecável da edição original? 

Relativamente aos UHF, como tivemos oportunidade de explicar, a opção de antologia foi longamente discutida mesmo dentro da equipa Do Tempo do Vinil e com António Manuel Ribeiro. A opção de juntar todo o material da Valentim de Carvalho numa única edição foi a proposta mais consensual, inclusive pela parte do próprio Artista. Evidentemente, não nos parecia correcto utilizar como imagem principal a capa original de nenhum dos trabalhos, para não induzirmos em erro os eventuais interessados, daí a opção por uma capa nova utilizando uma imagem de arquivo. 

(Como o amigo LSO também apontou e correctamente em resposta ao amigo António, "Jorge Morreu" foi lançado pela Metro-Som... como tal, não o pudemos incluir nesta antologia referente exclusivamente aos anos Valentim de Carvalho.)

A proposta do amigo LSO relativamente a uma "caixa" com CDs individuais no interior foi algo em que chegámos a pensar, mas que foi "chumbada" pelo departamento de produção da iPlay por ser demasiado dispendiosa e pouco prática, para além de fugir à opção pelo digipak que decidimos desde o princípio ser a imagem gráfica da colecção. 

No caso de Né Ladeiras, compreendemos alguns dos argumentos feitos pelo amigo Soares relativamente à "integridade" do reportório, e concordamos até com alguns deles! E, por exemplo, se houvesse uma série de "sobras" ou "extras" de sessões de estúdio de Alhur, não nos incomodaria minimamente lançá-lo isoladamente acompanhado desse material.

Infelizmente, não é de todo isso que se passa. Né Ladeiras apenas deixou gravados na Valentim de Carvalho os quatro temas de Alhur (15 minutos), sem nenhum extra, e os oito de Sonho Azul (35 minutos), sem nenhum extra. Ora, não faz sentido colocar nenhum dos trabalhos como "bónus" do outro, e optámos então por um CD único com 50 minutos reunindo cronologicamente os dois trabalhos com uma capa utilizando uma imagem de época, reproduzindo no interior todo o material das edições originais. 

Mas a verdade é também que situações como esta são mais excepções do que regra, já que a maior parte dos títulos escalados para a colecção são álbuns originais ou antologias de EPs.

Relativamente a uma eventual reedição do material dos UHF na Rádio Triunfo, é uma pergunta que terá de ser colocada à Movieplay, actual detentora dos direitos desse reportório. Quanto à Go Graal Blues Band, continua em projecto para avançar assim que a situação legal relativamente ao reportório da Vadeca esteja clarificada.

Continuem a enviar-nos as vossas sugestões e comentários — nem que seja para dizer mal!

2 comentários:

LSO disse...

No Jumbo de Setúbal também ainda não existem os CDs...

Eduardo F. disse...

Concordo com todas as vossas respostas.

A música é o mais importante! E a "fraca rendibilidade" ou a "insustentabilidade" de criar um disco apenas com 15 minutos apenas nos diz sobre o estado da indústria fonográfica actual.

Porque na altura foi possível! Hoje não é. São as empresas que mandam. Ah, não, é (gosto muito desta resposta - é como dizerem "Pois Deus Assim O Quis", que é igual a não dizer nada) o mercado que assim o quer.

Não queria que pensassem que desaprovo as opções da equipa. Estais a fazer um bom trabalho.

Essa ideia da caixa com cds parece-me bem interessante. Uma verdadeira peça de coleccionismo, acreditem!

Portugal, afinal, está apenas "QUASE" ao nível do melhor que se faz lá fora.

Abraço.